01-20-13
O BaixoCentro 2013 começou!!!

E mais uma vez o asfalto será o palco para a dança! O Festival BaixoCentro abriu a chamada pública para a sua segunda edição no dia 20 de janeiro.
A convocação de atividades é para ocupar durante mais 10 dias as ruas dos bairros Santa Cecília, Barra Funda, Campos Elíseos, Vila Buarque e Luz. Neste ano, a região do BaixoCentro de São Paulo será ocupada pelo Festival do dia 5 a 14 de abril. Por meio do site http://festival.baixocentro.org, os artistas e produtores poderão cadastrar suas atividades, sugerir em que espaços pretendem se apresentar, indicar quais equipamentos poderão emprestar e qual infraestrutura será necessária. Todas devem ser gratuitas e abertas ao público.
A chamada ficará aberta até o dia 22 de fevereiro.
Logo depois, será aberto o financiamento coletivo para viabilizar as atividades do Festival em abril.
As ocupações começam hoje, no domingo, dia 20 de janeiro, lá no Largo do Arouche. Para arrecadar fundos para esta pré-produção, a praça vai ser usada como palco para uma roda de samba a partir das 14h, com bebidas e comidas (http://www.facebook.com/events/419697221439194/). Quem quiser colaborar, há a sugestão de doação de R$ 10.
A ideia deste ano é estimular ainda mais a participação em oficinas e atividades políticas. Se na primeira edição as ruas foram ocupadas com projetos artísticos variados, desta vez a proposta é criar mais discussões sobre os espaços públicos. Serão atividades envolvendo desde a criação de mobiliário urbano, até debates sobre a falta de bebedouro nas ruas.
Hoje São Paulo é uma cidade de passagem. Não há praças e parques, nem banheiros públicos suficientes, ou bancos para descansar, ou até mesmo bebedouros para matar a sede. O Festival é um movimento que busca criar a cultura de ocupação das ruas de São Paulo. É o modo encontrado por uma parcela da sociedade civil para demonstrar como a capital do Estado é uma cidade opressora e cinza, e para tentarmos modificar essa realidade.
A primeira edição do Festival aconteceu no final de março de 2012 e recebeu mais de 100 propostas de atividades para ocupar os bairros ao redor do Minhocão. Mesmo com um orçamento reduzido (ao todo, foram R$ 22.000 para realização) nenhum projeto foi excluído ou desconsiderado. O Festival trabalha com o conceito de “cuidadoria”, ou seja, cuidar dos projetos enviados e fazer o máximo para que eles ocorram. Esse objetivo só é possível se se considerar o artista como produtor também, e não como um mero proponente. Dessa forma, de maneira colaborativa, os equiparamentos necessários são viabilizados e as atividades são realizadas.
Não são pedidas autorizações para órgãos governamentais (entenda o porquê aqui: http://baixocentro.org/2012/03/24/dicas-para-dancar/) e nem patrocínios para ONGs ou entidades privadas. Por ser um movimento de ocupação, o Festival é financiado colaborativamente por meio de plataformas online. Entenda melhor a dinâmica com o nosso Perguntas e Respostas (http://baixocentro.org/2012/07/04/perguntas-e-respostas/).
Quem quiser participar e colaborar do movimento, é só entrar no grupo de e-mails (https://groups.google.com/forum/?fromgroups#!forum/baixocentro) e se apresentar.
O e-mail de contato é baixocentro@googlegroups.com.
01-08-13
Tendências/Debates: O circo de lona e a resistência urbana
PASCOAL DA CONCEIÇÃO
EDUARDO CESAR RASCOV
“O circo era um balão iluminado…” (Oswald de Andrade)
Dias atrás, numa reunião da novíssima Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo, discutíamos a periclitante situação do circo de lona, esse balão iluminado que encanta desde os mais remotos tempos, quando, itinerante, mambembeava por quase todas as cidades do planeta, erguendo nelas a mais antiga sala de espetáculos do mundo.
Abrigo mínimo do sol, da chuva, das intempéries, frágil balão colorido e iluminado, dentro da lona se apresentavam atores, cantores, trapezistas, bichos, mágicos, palhaços, enfim, o mundo… do circo.
É necessário agir para que a cultura material e imaterial do circo nas cidades seja resgatada e preservada, missão maior do Centro de Memória do Circo. Por isso, que tal ajudar a fazer uma espécie de arqueologia do imaginário e doar material relativo ao circo, como fotografias, filmes, livros, discos, peças gráficas, figurinos?
Na linha do tempo do circo de lona na cultura brasileira, estão os ilustres modernistas Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Menotti Del Picchia, Sérgio Buarque de Holanda, Paulo e Yan de Almeida Prado e Di Cavalcanti, entre outros, que muitas vezes assistiam aos espetáculos do palhaço Piolin, no largo do Paissandu, nos anos 20.
Mário de Andrade dizia, sem cerimônia, que o circo e o teatro de revista eram os únicos “espetáculos que ainda se pode frequentar no Brasil”.
Infelizmente, muitos dos espaços nos quais eram montadas aquelas delicadas estruturas viraram concreto. Mesmo assim, a barriga do circo insiste em persistir. Às vezes, topamos no meio do caminho com um circo de lona num terreno vazio. São como cogumelos que surgem depois da chuva, aparecem montados e iluminados da noite para o dia.
Essas lonas coloridas surgindo nos espaços vazios das cidades nada mais são que os sinais aparentes da resistência à desmedida ocupação imobiliária de nossas cidades. Formam um eloquente sinal de que, ali onde tem um circo –um acontecimento de arte e alegria–, está a luta dos que pensam em produzir a melhor e mais apaixonada ocupação dos espaços, onde todos vivemos a emaranhada forma humana corrupta da vida.
Não que dispensemos os arranha-céus, os mercados, as lojas de comércio ou desprezemos a necessidade de habitações. Mas como é bom saber que estão lá, alegres e resistentes, essas abóbadas frágeis, que lembram que a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Elas exibem de maneira dramática a situação periclitante do circo e, ao mesmo tempo, seu grande papel de resistente cultural, com sua insistência turrona.
O circo persevera em cobrir com uma lona um vão de terra e fazer brotar ali um mundo em que se manifesta a alegria, a arte, a intrepidez, linha imaginária por onde desfila como um funâmbulo a exibir sua coragem –ignorante e iluminado–, na luta contra a força da especulação imobiliária, que ergue e destrói coisas belas.
Sim, era o circo de lona que discutíamos, mas eram também as cidades, as nossas cidades, para as quais é preciso que essa resistência se fortaleça. É necessário agir para que o circo tenha garantido pelo menos um terreno fixo em uma cidade como São Paulo, com um mínimo de infraestrutura, onde ele possa se armar e depois partir, sabendo que virá outro em seu lugar, e depois outro e depois outro.
Por isso saudamos a notícia de que um terreno na marginal Tietê, próximo ao shopping Center Norte, será cedido ao Circo Spacial de fevereiro a maio. Que a nova prefeitura o transforme na permanente Praça do Circo, que tanta falta faz à cidade. E vamos ao circo, porque “hoje tem espetáculo”, sim, senhor.
PASCOAL DA CONCEIÇÃO, 59, ator, e EDUARDO CESAR RASCOV, 51, escritor, são diretores da Associação dos Amigos do Centro de Memória do Circo
Texto publicado pela Folha de S. Paulo no dia 08/01/2013
fonte: http://folha.com/no1211500
10-27-12
Domínio Público
Domínio Público – Lei Elite da Copa from Paêbirú Realizações on Vimeo.
Esse documentário começou a ser filmado um ano atrás, de forma independente, com pouquíssimo recurso conseguido através da produção de um evento cultural. A equipe abriu mão de seus salários e os equipamentos foram cedidos gratuitamente. Percorremos as comunidades do Vidigal, Vila Autódromo, Providência, toda a Zona Portuária do Rio de Janeiro e o Maracanã, obtendo diversas imagens, entrevistando muitos moradores, participando de reuniões, debates e conflitos. Além disso, entrevistamos o professor Carlos Vainer doIPPUR/UFRJ, pesquisador de megaeventos, o Deputado Estadual Marcelo Freixo e o Deputado Federal Romário.
Nesse período, investigamos para onde estão indo todos os bilhões investidos no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, visando a Copa do Mundo e as Olímpiadas. Está muito claro para nós, que grande parte desse dinheiro sairá dos cofres públicos e servirá para enriquecer um grupo muito restrito de empreiteiros, políticos, bancos e empresários envolvidos com esses megaeventos. O legado que vai ser deixado para a população é muito pequeno. E o pior de tudo: várias comunidades estão sendo removidas, ilegalmente, das áreas de forte interesse imobiliário para periferias distantes, sem nenhuma infraestrutura e dominadas por milícias fortemente armadas e extremamente violentas.
Pretendemos aprofundar a pesquisa e o debate sobre esse processo, mas fazer cinema é complicado e os equipamentos são caros. Os meios de financiamento no Brasil são oriundos de leis de incentivo/editas que envolvem o governo ou grandes empresas, que jamais apoiariam projetos como o nosso. Estamos tentando o financiamento coletivo para prosseguir com o filme. Você pode doar qualquer valor a partir de 10,00 em troca de recompensas criativas, e ajudar na produção e divulgação dessas informações para a população. Precisamos de 90.000 reais, o que ainda é pouco, pois queremos filmar muito mais, finalizar um longa-metragem, divulgar na internet e exibir nas ruas, praças e comunidades através do Cine Ataque. Acreditamos que o nosso vídeo pode chamar a atenção da sociedade para as injustiças que estão sendo cometidas contra o povo brasileiro. JUNTOS, NÓS PODEMOSINTERVIR NESSA REALIDADE. PARTICIPE !!!!
Porto, Maravilha Para Quem?




