07-04-12
Perguntas e Respostas
O movimento BaixoCentro surgiu como forma de ocupação das ruas de São Paulo. Uma demanda reprimida pelo poder público que aflora e cresce cada vez mais a cada evento que se organiza pelas ruas deste grande emaranhado de concreto. A ação, porém, por ser nova para uma cidade que não está acostumada a tomar as ruas para si, pode gerar diversas controvérsias e desentendimentos.
Estas Perguntas e Respostas são para facilitar a entender os eventos organizados pelo movimento, que é descentralizado, sem hierarquia e autogestionado.
Junte-se à dança!
1) Dançar? Mas que p*** é essa de as ruas serem para dançar?
Sim! Dançar! Hoje, a cidade de São Paulo é resultado de um processo urbanístico que não considera as pessoas, o conjunto, como ponto principal de composição, mas sim um estilo de vida individualista em que o transporte se dá por carros. Repare que as calçadas são terríveis, o transporte público deixa a desejar e que há poucos espaços públicos nos bairros para se conversar e conhecer as pessoas ao redor. Pensando nisso, queremos usar as ruas para promover estes encontros. Queremos que qualquer espaço público seja visto pelos moradores como potencial para eventos entre vizinhos ou qualquer outra manifestação coletiva e artística.
2) Mas na rua?! Não é perigoso?
Ah, não e sim. É tão perigoso quanto você andar sozinho pelas ruas no trajeto da casa ao trabalho. Mas é um pouco menos quando você organiza um monte de gente para estar lá com você. Quanto mais frequente forem as ocupações e mais pessoas se conseguir reunir, menos perigoso será. Entendeu a dinâmica?
3) E tem que pagar aluguel para usar a praça ou o Minhocão?
Não! Aliás, você já paga. Todos os meses, junto com os seus impostos. As áreas públicas da cidade, como as praças e o Minhocão quando está fechado, são de uso dos cidadãos, sem precisar pedir autorização para se usar ou pagar qualquer quantia a mais. É só chegar, convidar os amigos e aproveitar o espaço e a troca entre os participantes.
4) Como assim não precisa pedir autorização?
Exato! Não precisa não. O que os órgãos governamentais aconselham é que eles sejam avisados, para evitar maiores transtornos PARA ELES. Mas, na verdade, a praça é pública e qualquer um pode usar. O movimento BaixoCentro não pede autorização para nenhum evento, justamente para demonstrar para o público que, sim, as ruas são para dançar e devem ser ocupadas por todos.
5) Mas e a segurança? E uma ambulância? Não precisam dessas coisas para se fazer um evento grande?
Então, se pensarmos, nós já somos atendidos por esses serviços. Para qualquer emergência que precisarmos, é só ligar 190 (polícia) ou 193 (bombeiros). Eles são obrigados a nos atenderem. Não há necessidade de ter uma equipe esperando no local. Se a ambulância ou os bombeiros demorarem para chegar, não é culpa que o evento é mal organizado, mas sim que o serviço de emergência da prefeitura é ineficaz. Que diferença faz se você precisa de emergência em um evento na rua ou na sua casa? Se estiver insastifeito com o atendimento, é uma boa hora para arregaçar as mangas e tentar exigir a melhora dele.
6) Ok, estou aqui no Minhocão, maior festença, mas…. cadê a comida?!
Ué? Você não trouxe? Ajude em um piquenique colaborativo! Vamos promover a troca e a confraternização, porque isso, por enquanto, não está proibido na cidade. De acordo com uma lei de 2008, é proibida a venda de alimentos em carros e caminhões, ficando apenas autorizada a venda de cachorros-quentes e refrigerantes. Sim, não se pode vender alimentos nas ruas de São Paulo. E, agora, parece que nem dar mais sopa se pode… Vamos nos articular para mudar isso?
7) Não comi, bebi e, agora, além de bêbadx, preciso ir ao banheiro. Cadê o banheiro químico?!
Para colocar banheiros químicos em vias públicas se precisa pedir autorização para a prefeitura, porque é algo fixo que, teoricamente, pode atrapalhar no tráfego normal da área. E como não pedimos autorização para órgãos governamentais, não há banheiros químicos. A ideia é que se use os bares, restaurantes, os metrôs (sim, muitos possuem sanitários) ou até os próprios vizinhos do entorno para dar aquela aliviada na bexiga. Se essa ideia incomoda, talvez seja hora de se articular para exigir infraestrutura básica: banheiros públicos espalhados pela cidade. Para se aproveitar a cidade a pé, é preciso ter uma estrutura, como um banheiro para se usar. Não é que o evento foi mal organizado, mas é que faltou articulação para exigir isso. Está afim de puxar isso?
8) E são essas atividades do evento?
Sim! E, olha que legal, elas não foram escolhidas ou filtradas. Elas foram cuidadas para que pudessem acontecer. É o nosso conceito de “cuidadoria”. Em vez de selecionar, podar, vetar, escolher, modificar, nós queremos que todo mundo tenha oportunidade para mostrar seu trabalho e faça parte da programação. E se ficou aquém da expectativa, venha fazer junto.
9) Mas esse Minhocão está um inferno de quente!
Uhuuu, então, use filtro solar e se proteja dos raios UV! Dizem que ele faz mal à pele, mas vai te dar um bronze que só.
10) E precisa pagar para entrar?
Nada. Tudo de graça. Volta e meia a gente passa o chapéu para financiamentos coletivos, como fizemos para o Festival e a Festa Junina no Minhocão. Mas é só chegar e aproveitar.
11) Eu quero dançar, mas estou perdidx!
Eba! Venha! E leia as dicas para a dança para se achar.
12) E quem vai limpar tudo depois?
Não se deveria pensar em limpar depois, afinal, somos todos cidadãos conscientes e não jogamos lixo no chão. Eu não jogo. Você joga? Claro que não. Então, o que teria para limpar depois?




